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Tudo o que eu queria era que vc entendesse que as minhas necessidadesnão são como as suas, que parecem ser as mesmas todos os dias. Às vezes eu preciso ficar sozinho, ouvir a música mais triste que eu conheço, e chorar. Noutras preciso de uma companhia pra conversar sobre cinema, mulheres, bossa nova, metrô, marcas de cigarro ou violência urbana.
Mas vc fica aí, me olhando com essa cara de quem não sabe de onde veio e muito menos pra onde vai. Eu te falo de tudo que importa pra mim, e pela sua expressão, eu tenho a impressão de estar falando tupi-guarani.
A gente olha pros outros na rua, e todos parecem se entender. A comunicação parece ser tão fácil de ser praticada, e nós continuamos aqui, olhando um pro outro, sem nada falar, esperando pra saber quem vai ser o primeiro a afagar o outro, sem qualquer outra intenção preliminar, sem motivo, mas, no fundo, esperando que esse carinho seja retribuído no mesmo momento.
E só aí eu percebo que talvez vc seja o mesmo único que entende quando eu preciso ficar quieto no meu canto, e não me esquece quando eu preciso de alguém pra contar o fim da noite de ontem, que foi muito boa ou muito ruim, mas o fato é que eu preciso contar pra que o fato realmente se concretize, e pra que todas as outras coisas possam retomar o seu fluxo natural. E geralmente eu só conto pra vc, que, ainda que pudesse, sei que não contaria a ninguém. E esse respeito me comove, e me faz gostar mais ainda de vc, e menos dos que eu julguei santos, e que me retribuíram com mentiras, hipocrisia, e todas essas qualidades que todos sabemos que são privilégios do ser humano.
Mas vc não passa de um cachorro, e, a não ser que o mundo esteja mesmo de ponta-cabeça, provavelmente nunca lerá esse texto.
E do jeito que o mundo parece estar de ponta-cabeça, talvez nem eu.
Slash - Out / 08
Ao som de: Johnny Cash - I Walk The Line
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