quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Que pena que a gente não sabe esperar, quando a própria espera é a solução, quando bastaria um mínimo de controle pra ter de volta a calma. Por medo de que o próximo dia seja o último, chegamos a lamentar por haver tantos dias por vir.
Engraçado como a gente tenta explicar coisas que simplesmente não existem pra serem compreendidas, pois, se assim o fossem, não teriam qualquer encanto ou razão de ser. Ainda assim, a gente procura razões, aponta culpados, e, como é de se esperar, nos desapontamos no final.
Que pena pensar que basta um dia bonito pra gente se sentir capaz de seguir com um remo só, e de repente se vê sem forças e sem abraço no meio do mar revolto. Tudo que parecia tão próximo e palpável se esvai, e de repente o azul que era lindo passa a causar náuseas.
E de repente quem te vê não sabe se você chegou de fato a algum lugar, quando você é o único que tem certeza que não. E só quando a maré baixa, voltamos a enxergar que o que passou não é tudo. Que além desse mar, há tanto mais por ver, e por viver. E voltamos devagar, com o remo em uma mão, e o mundo na outra.
E depois de uma longa viagem, (quase) todas as coisas estão de volta ao seu lugar, e é quando nos sentimos prontos pra recomeçar.
Ao recomeçar, voltamos a ter a dimensão de tudo o que estava pra ser jogado fora, e nos sentimos tolos, porém felizes por estar de volta.
É quando se percebe que o que buscávamos não era exatamente o que queríamos, ou que, pelo menos, não é mais. E nos sentimos mais tolos, no entanto, ainda mais felizes por estar pisando em terra firme, e poder enxergar tão longe.
E daqui fica mais fácil ver que a felicidade é grande demais pra morar apenas na sua cama, no seu ombro e no seu telefonema dizendo que não acabou.
A felicidade está em saber que você remou comigo, e me ensinou tanto, que eu fui capaz de voltar sozinho. Está em descobrir que eu quero e posso tanto, quando foi você quem me ensinou a querer e a poder, e hoje eu me sinto realmente capaz de ser uma pessoa melhor pra mim, pra você, e pra quem precisar da minha cama, do meu ombro, ou de um telefonema dizendo que tudo vai ficar bem no fim das contas.
Hoje eu me sinto feliz em ver que a felicidade ainda é possível, e que valeu a pena ir, mas valeu ainda mais a pena voltar.
E a gente ainda vai acabar se cruzando por aí. Cada um com um remo e um mundo nas mãos.
Quanto a todo o resto, um dia a maré traz de volta...

Slash - Nov / 08

Ao som de: Aerosmith - What It Takes (!)

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